Costinha, por Alexandra Moraes
Costinha, o Libertino (1974) é um filme formador de caráter. Nele, o herói de nossa gente interpreta o comendador Emanuel, defensor da moral e dos bons costumes e combatente da pornografia. Emanuel aluga sua mansão para um “colégio de moças” e depois descobre que se trata de uma “casa de encontros suspeitos” (os intertítulos do filme detêm até hoje o recorde sul-americano do uso de ASPAS EXPRESSIVAS).
O comendador, sempre de terno e gravata, é assediado por sua consciência -o próprio Costinha, de bermuda-, que lhe diz coisas como “tu se faz de santinho, mas gosta de uma boa sacanáááj”. No final, o homem probo escuta a voz da consciência e cai na esbórnia. É previsível, claro, mas também implacavelmente lógico - não conheço melhor tratado sobre os prejuízos que o cerumano pode sofrer ao reprimir seus instintos. VEJÃO.
Por Ruy Goiaba
No dia 15 de setembro de 1995, Lírio Mario da Costa, o Costinha, deixou a vida para entrar na história. Nascido no Rio de Janeiro, filho de um palhaço, iniciou a carreira mimetizando o pai, que abandonou a família pouco antes de Costinha completar 13 anos de idade. Trabalhou como garçom, engraxate, apontador de jogo do bicho e faxineiro da Radio Tamoio, onde despontou para o panteão dos grandes homens que fazem a história.
Como radioator, criou personagens para programas de humor da época comoCadeira de Barbeiro, Recruta 23 e a primeira versão radiofônica da Escolinha do Professor Raimundo, criada por Chico Anysio. Participou de outros programas humorísticos nas rádios Record e Mayrink Veiga e atuou no Teatro de Revista, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Gravou sete discos de humor nos anos 1970 e 1980 e vendeu milhares de cópias com os títulos O Peru da Festa e As Proibidas do Costinha. Participou de mais de 40 filmes (veja lista).
Franzino e de cabelos sempre engomados, atuou com grandes nomes da pornochanchada brasileira como Wilson Grey, Wilson Viana e foi dirigido por Carlos Manga, cuja obra suplanta a Nouvelle Vague e o movimento Dogma, e contracenou com Carlos Imperial em Garota Enxuta e Zé Trindade. Conhecido pela esplêndida criação do personagem uma bichinha, atemporal e cabível em seja qual for o enredo, viveu o personagem O caçador de viados no filmeHistórias Que as Nossas Babás Não Contavam, com Adele Fátima. Criou várias paródias para o cinema brasileiro, as mais importanes que nenhuma retomada fará igual como Costinha, O Rei das Selvas, O Libertino e O Homem de Seis Milhões de Dólares Contra as Panteras.
Ganhou fama ampla, geral e irrestrita na pele do personagem Seu Mazarito, um português desbocado da Escolinha do Professor Raimundo, na TV Globo, onde firmou como a consciência da nação, a voz da verdade, o novo Farol de Alexandria.
No dia 4 de setembro de 1995 Costinha deu entrada no Hospital Panamericano, no Rio de Janeiro. Faleceria dali 11 dias, vítima de insuficiência respiratória, aos 73anos. Deixou um legado de esculhambação, desordem, uma marca indelével no humor mundial e reafirmou com suas piadas de bichinha, a posição de maior brasileiro de todos os tempos. Louvemos a sua memória neste dia.
(A foto no alto é obra de @mrguavaman & @marcurelio)
Costinha por Alexandra Moraes
Costinha por Alexandra Moraes
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Programa Câmera Manchete em homenagem ao Costinha
Costinha, uma despedida

Maior sequência de discos já gravados na história do registro fonográfico ocidental. Download aqui